domingo, maio 31, 2009

Taxas de resposta

Seguindo um link colocado num comentário a uma mensagem abaixo, cheguei a este interessante post. Uma das questões levantadas tem a ver com as taxas de resposta anormalmente altas que são reportadas nas fichas técnicas de algumas sondagens.

Note-se que a taxa de resposta em entrevistas telefónicas corresponde à proporção de entrevistas completas sobre a soma das seguintes parcelas:

1. Entrevistas completas
2. Entrevistas iniciadas mas não completadas;
3. Recusas;
4. Casos em que não se estabeleceu contacto com a pessoa que deveria responder;
5. Outros casos em que a pessoa que deveria ter sido inquirida não o pôde ser (falecido, incapaz de responder por razões físicas ou psíquicas, problemas linguísticos, etc.);
6. Casos em que não se conseguiu apurar se o nº de telefone seleccionado corresponde a um domicílio;
7. Casos em que o nº de telefone esteve ocupado nas várias tentativas.
8. Casos em que não se conseguiu determinar se no domicílio existe um membro do universo.

É evidente, para quem saiba um mínimo sobre como este tipo de sondagens correm realmente, que a divisão do valor 1 sobre a soma dos valores 1 a 8 nunca dá 0,85, ou seja, não há taxas de resposta de 85% em inquéritos deste género. Logo, uma das coisas com que a ERC se deveria preocupar, a meu ver, seria garantir que todos os institutos usam, nas suas fichas técnicas, a mesma definição do que é uma taxa de resposta, porque pelos vistos não o estão a fazer. Estarão, provavelmente, a relatar uma taxa de cooperação, que é simplesmente o rácio do valor em 1 sobre a soma dos valores 1 a 3 (na sua versão mais "benévola"). O que significa também que, enquanto não houver convergência de critérios, ninguém vai dar a taxa de resposta (ninguém está disposto a fornecer valores reais de 10-30% para que eles sejam - ilegitimamente - comparados com valores de 85%).

Isto é especialmente importante para as sondagens que usam amostragem aleatória porque, como se diz no post que mencionei inicialmente, é assim que se mostra em que medida a amostra obtida se desvia da presunção de que todos os seus elementos resultaram de uma selecção dos membros do universo com igual probabilidade.
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