segunda-feira, junho 01, 2009

Voto obrigatório

O facto de se erigir a liberdade individual como único e exclusivo princípio em torno do qual se deve organizar a delegação de poder dos cidadãos em representantes numa democracia (ignorando os restantes princípios básicos, a saber, igualdade política e capacidade de controlo dos representantes) e querer sempre terminar por aí qualquer discussão é bastante revelador da cultura política de um certo tipo de liberalismo.

P.S. - Caro João. Quem apanhe esta discussão a meio fica a pensar que eu defendi o voto obrigatório no artigo do Público. Não defendi, pelo contrário, como certamente reparou. Mas escrevi um parágrafo no texto sobre a discussão do tema num plano meramente normativo, simplesmente para dizer que a discussão é muito difícil de resolver nesse plano, e que de todo se pode resolver numa penada, como esta sua penada que critiquei neste post. Só para dar um exemplo, consentir que apenas algumas pessoas votem (e outras não) pode ser visto como algo que colide com a igualdade política, se acreditarmos que há obstáculos económicos e sociais ao voto que um regime democrático deve tomar em conta e resolver (ver aqui, aqui ou aqui). E note que eu nem sequer disse que concordo com esta segunda visão. O que procurei fazer foi dizer que, num plano meramente normativo, a questão é muito mais difícil do que é sugerido pelo seu post inicial, e que podemos tomar um atalho: questionar, do ponto de vista empírico, as pressuposições sobre os efeitos do voto obrigatório daqueles que o defendem no plano dos princípios.
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