sexta-feira, junho 05, 2009

O conjunto das sondagens (1)

Tenho apenas conhecimento de quatro últimas sondagens. Vamos olhar para elas:



Duas telefónicas, duas presenciais com simulação de voto em urna. Uma com amostragem por quotas (Marktest), três com amostragem estratificada aleatória, sendo que duas delas (CESOP e Marktest) fazem ponderação pós-amostral com base em dados das estatísticas nacionais. Três tratam indecisos como abstencionistas, outra usa um modelo próprio (Aximage). Apesar de tudo, uma razoável diversidade de abordagens.

Questões concretas:
1. Quem estava à frente no momento em que foi feito o trabalho de campo? A única sondagem que "diz" saber a resposta a essa pergunta com elevado grau de confiança é a Eurosondagem. A sua resposta é "o PS". Como vemos no quadro abaixo, tendo em conta a dimensão da amostra, a diferença de 4,1 pontos nessa sondagem é estatísticamente significativa. As restantes três sondagens não sabem a resposta a essa pergunta. Nem mesmo a Aximage, apesar de dar 5,3 pontos de vantagem ao PS. É o preço a pagar por uma amostra reduzida (mas pode ser um preço compensador se isso resultar de uma boa exclusão de não-votantes; com mais de 60% de não-votantes na Aximage, isso pode ser o caso).



2. Quem estava à frente no momento em que foi feito o trabalho de campo: BE ou CDU? A única sondagem que "diz" saber a resposta a essa pergunta é a do CESOP. "CDU", é a resposta. Para todas as outras, as diferenças num sentido ou noutro não têm significância estatística.

3. Qual era o quinto partido no momento em que foi feito o trabalho de campo? Pelo menos, aqui há consenso: o CDS-PP.

Tudo o que está acima presume que as amostras são genuinamente probabilisticas e que não há fontes de erro para além do erro amostral. Não é verdade. Mas é o que temos.
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